quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Audiência em tribunal

10 horas e 15 minutos.

Eu e a minha advogada.
O pai e um amigo seu.

Feita a chamada pela escrivã.

O seu amigo não pode entrar, mas até dá jeito para lhe ir buscar o Cartão de Cidadão ao carro.
(Quem é vai para um tribunal sem documento de identificação?)

Na sala de audiência, desce-me uma paz de espírito. 
Sento-me, estou calma. Sei que tudo isto será resolvido para bem da menina.

Do outro lado da sala, saem raios de raiva pelos seus olhos. Conheço-o e já os vejo. Ainda não começou.

A Dr.a Juíza pergunta se há hipótese de chegar a um acordo.

O pai alega dificuldades económicas.
Dos 100 euros por mês que dá de pensão de alimentos, quer baixar para 75 euros.
Declara o ordenado mínimo e até está em risco de ter fechar o seu negócio.

O quê? Surpresa!- nunca antes tinha sido referido dificuldades económicas por parte do pai. 
Coisa nova, só pode.

Numa esperança de poder lavar roupa suja na audiência, começa a vomitar informação sem importância para aquele momento, interrompendo até a Juíza. 

Mandou-o calar 3 vezes. Ameaçou que o punha fora da sala, tamanho era o desrespeito.

Não demorou muito para ver que não conseguiríamos chegar a acordo.

Fim da audiência. 10 dias para apresentar alegações.

No fim, a minha advogada, já experiente nestes assuntos, afirma que nunca tinha visto uma pai dizer aquelas coisas, e fez-me uma derradeira pergunta:

- "Mas afinal o que viste tu naquilo para ser o pai da tua filha?"

- ........